Caderno Terapêutico Amarelo

Monday, March 13, 2006

Uma história para contar devagarinho ... III


Onde est�s? Posted by Picasa

Consigo agora avaliar serenamente a dimensão do estrago que causei na vida dele, e ele na minha.
Abrir caixas de Pandora não soluciona problemas, cria novos, de dimensão superior. Desconheço o móbil que dirigiu o meu comportamento, naquele dia. Qual deles teve mais peso? A atração física, a sede de vingança, a teimosia, ou simplesmente ... o amor.
Passados estes meses começo a dar-lhe razão:
" Assim fico viciado em ti ", " És a ... da minha bida".
Sim, deveria ter-lhe dado ouvidos. Não é correcto alimentar uma fera para depois a deixar perecer. Nada é pior que a ausência.
Sim... a ausência. Não a distância física ou geográfica. A ausência é pior. A ausência impede-nos não só de ver, de tocar, de falar, mas, mais importante, impede-nos de saber do outro.
Haverá algo mais insuportável do que desconhecer se o ser que amamos está vivo ou morto?
Haverá algo mais temível que morrer e ter a certeza de que ele não saberá da nossa morte, de que não lhe será dada a oportunidade de a chorar?
Por isso nada é pior que a ausência. Impede-nos de planear, de sonhar, de imaginar possíveis encontros. Somos confrontados com a brutal certeza de que não adianta remar, não há amor que valha ou baste.
Podemos fugir, tentar ficar próximos, mas como, onde, de quê? Se não há nada que indique o caminho? Para onde ir, para estar perto de ti? Quando este sítio , que é tão longe de ti, é o único que nos une.

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