
Pintura de Mildey Guillot

Todos os dias aprendemos algo novo, é um facto incontestável da vida.
Mas até que ponto conhecemos e nos dedicamos a conhecer os "nossos"?
Quanto sabemos daquilo que foram?
Como passaram a infância, a adultez? Que sacrifícios fizeram para hoje aqui estarmos?
Estas últimas perguntas aparentemente dispares, em relação à afirmação que as precede, ocorreram-me após uma conversa de café.
Encontrei casualmente um senhor, de quem cuidei há uns meses atrás. Após as saudações iniciais, da praxe e da boa educação, iniciámos uma "conversa de café", que me deixou com estas questões na mente. O dito senhor é um amigo de infância do meu pai. Começou ele então a contar as histórias de França, quando recordou um episódio: " ... ainda me lembro, nos fins de semana fazíamos fila na porta das barracas, para o teu avô nos cortar os cabelos, chorávamos tanto ...".
Esta simples afirmação fez-me pensar... o que sabia eu da vida dos "meus"? Saber na verdadeira acepção da palavra?
Para mim o meu avô é aquele senhor muito sério e composto, que vive com a avó, na" casinha" com vista para a serra ... Em paz e sossego, reformado, com a Coimbra (uma cadelinha) como companhia. Nunca me lembraria dele como um trabalhador, a viver num bairro de lata, e a cortar cabelo aos Sábados, para sustentar uma família.