Caderno Terapêutico Amarelo

Saturday, December 23, 2006

Uma história para contar devagarinho IX

Houve um dia em que tentei substituir-te ... achava possível ... queria alguém próximo, que me fizesse esquecer a distância...Roma era tão longe. Pessoas e sentimentos não se trocam ... ele não és tu e tu não serás ele. Escolhi-o, como se estivéssemos num mercado, uma feira de humanos - é este, porque esteve contigo, porque é teu amigo ... Há horas do diabo.

Parecia-me nessa altura que se não tinha resultado ao longo de cinco anos, nunca iria resultar... daí a minha escolha ... acreditei que era a correcta... que era ele. Depois vi-te, reencontrei-te ... quando me abriste a porta dele . Esperámos até aos seis anos ... nesse dia 7 pensei - e porque não? Se sempre foste tu... daí ceder quando já nem acreditavas ser possível ... Há horas do diabo.

Transcrevo este texto do meu caderno, não para tu saberes... mas porque alguém disse hoje, alguém que eu estimo - se não resultou ao longo destes dois anos e meio, já não vai resultar. A ideia pareceu-me tão errada e cheia de desesperança ... é para a minha Bi que escrevo. Mais tarde será tarde e agora já é tarde ... esqueceu-se do amanhã. Nós existimos, apesar de todas as nossas escolhas erradas ... quando nenhum de nós julgaria possível consertar o que o tempo, a distância, a ausência e os nossos melhores amigos destruíram. Porque há horas do diabo... há ... momentos que duram segundos e estragam vidas. Mas também há horas do diabo ... momentos em que decidimos que ninguém estraga a nossa.

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