Caderno Terapêutico Amarelo

Wednesday, October 24, 2007

Uma história para contar devagarinho ...XIV

Parece estranho esta alternância constante de emoções. Tudo aquilo que sentia ontem, sofreu uma metamorfose. Um senhor chorava, sem gemidos, só lágrimas. Corriam-lhe pelo rosto, molhavam-lhe os olhos, muito azuis. Perguntei-lhe porquê, respondeu-me que era excesso de amizade. Que a esposa o foi ver, que eram muito amigos, que eram só um. Que não estava habituado a estar sem ela, porque estavam juntos há 48 anos. Nessa altura, quando vi que ele tinha saudades, aquela falta genuína de outra pessoa ... apercebi-me. Apercebi-me de várias coisas. Que és das pessoas cuja noção de existência tenho há mais tempo. Que és o meu primeiro amigo, mesmo que ontem te jurasse que eras o inimigo número um. Que já passaram cerca de 26 anos, desde essa data. Que embora não saiba o que sinto por ti, e não possa afirmar-te que é amor, vais fazer-me falta. Por excesso de amizade, de empatia, de sei lá o quê mais. Que "amor escreve-se com tempo e transcende a distância" ( quantas vezes me lembraste esta frase?, que eu teimo em esquecer?).

Partida

Sei que me vais fazer falta,
Sei que vou sentir saudades,
Sei que vou chorar...
Sei que voltas,
E que me encontras...
És a minha vida,
O meu vício, o meu veneno
... E eu os teus.

Sinto que o tempo
Girou de novo,
Nos levou para os dias ...
Aqueles de Roma.
Sei que sobrevivo sem ti.
Sei que outros,
também satisfazem as minhas necessidades.
Mas a distância?
Novamente?
Ontem sentia ira, mágoa.
Hoje choro, porque me apercebo
Que so tu consegues
Fazer-me a chorar assim ...