Uma história para contar devagarinho ...XIV
Parece estranho esta alternância constante de emoções. Tudo aquilo que sentia ontem, sofreu uma metamorfose. Um senhor chorava, sem gemidos, só lágrimas. Corriam-lhe pelo rosto, molhavam-lhe os olhos, muito azuis. Perguntei-lhe porquê, respondeu-me que era excesso de amizade. Que a esposa o foi ver, que eram muito amigos, que eram só um. Que não estava habituado a estar sem ela, porque estavam juntos há 48 anos. Nessa altura, quando vi que ele tinha saudades, aquela falta genuína de outra pessoa ... apercebi-me. Apercebi-me de várias coisas. Que és das pessoas cuja noção de existência tenho há mais tempo. Que és o meu primeiro amigo, mesmo que ontem te jurasse que eras o inimigo número um. Que já passaram cerca de 26 anos, desde essa data. Que embora não saiba o que sinto por ti, e não possa afirmar-te que é amor, vais fazer-me falta. Por excesso de amizade, de empatia, de sei lá o quê mais. Que "amor escreve-se com tempo e transcende a distância" ( quantas vezes me lembraste esta frase?, que eu teimo em esquecer?).


